domingo, 29 de junho de 2008

O preto e branco da doce vida


Assistir a filmes antigos requer desprendimento. Se o espectador procura grandes efeitos ou coisas do gênero, melhor é correr à locadora mais próxima e procurar uma capa com desenhos espaciais. Fazer uma leitura dos clássicos do cinema é, no mínimo, agradável e interessante.

A Doce Vida (La Dolce vita) é um desses memoráveis clássicos e que tem à frente um diretor não menos importante, um dos maiores cineastas italiano, Federico Fellini. Ele é famoso pela poesia em seus filmes, porque mesmo nas criticas sociais, a magia do cinema não é sucumbida.

O ator Marcelo Mastroianni vive o personagem Marcello, um joranalista de origem humilde, sem compromisso, que se envolve com várias mulheres e que ganha a vida cobrindo notícias do frívolo mundo da alta sociedade romana do pós-guerra. Seu sonho de se tornar um escritor vai ficando para trás e o enredo caminha para um fim que algumas pessoas costumam chamar de amargo e alegam um contraste com a doçura do título.

O filme marca a transição de Fellini do estilo neo-realista para o simbolista. É bom lembrar, que nos anos que antecedem ao lançamento, a Itália estava comovida com um sentimento otimista. Ninguém queria saber do cinema neo-realista e recordar a violência, a miséria e a humilhação dos tempos de guerra. Era o tempo da americanização e das mulheres formidáveis. E o filme trás isso.

Uma das cenas mais famosas do cinema está nesse filme. Marcelo Mastroianni e a atriz Anita Ekberg (Sylvia) se banhando no Fontana di Trevi. Quando Mastroianni morreu, muitas pessoas se dirigiram à Fontana por causa daquela cena. Era o testemunho do quanto o filme havia marcado aquela época.

Além disso, o filme eternizou a figura do “paparazzo”, fotografo que tem sempre a máquina à tira-colo na espera de algum furo, geralmente de cunho sensacionalista.

A Doce Vida é um filme longo e leve, divertido e trágico, vivo e diverso. Parece não ter inicio e nem ter fim. É superficial e profundo. Traz a maneira melancólica, mas irônica de Fellini e trata a decadência, a hipocrisia e a infelicidade da sociedade burguesa. Além disso, trás a trilha sonora de Nino Rota (músico que acompanhou Fellini em vários de seus trabalhos) e atores que o tempo já levou. Ganhou o Oscar de melhor figurino e foi indicado em outras três categorias: melhor diretor, melhor roteiro original e melhor direção de arte.

Ver um clássico de Fellini é constatar o tempo. O preto-e-branco, o modelo dos carros, o figurino e os penteados, tudo isso num enredo felliniano. Hoje A Doce Vida pode não ser o melhor filme para ser assistido, mas merece lugar na ficha da locadora, afinal, doces clássicos empolgam a vida.

Um comentário:

Giovane C. Rezende disse...

Fellini cineasta perfeito!! Mastroianni perfeito ator!! Pq tudo antigo eh sempre melhor em? uhauhauhauha

Juro q lembrei do Tupi com o titulo, naum sei pq. uhauhauhauahuah