sexta-feira, 20 de junho de 2008

Musical 68, Panis et circense e Write Album

(Na foto, as capas de cada álbum)
O ano era 1968. No Brasil aumentava o endurecimento do regime militar, crescia a censura política e a repressão policial. Na Europa era a vez das revoltas estudantis. Além disso, corroboram para os transtornos políticos a Guerra do Vietnã e a morte de Martin Luther King. Agora, afora as implicações político-sociais, o ano foi de grande influência musical. Os garotos de Liverpool lançam o Write álbum e aqui, no Brasil, surge um novo disco, Tropicália ou Panis et circense.

Enquanto Hendrix desafiava os limites da psicodelia no seu novo album, os Beatles mostravam que isso eles já haviam experimentado em Sgt. Pepper’s Lonely Club Band(1967), e faziam suas apostas no Álbum Branco (The Beatles), que mirava seu foco no minimalismo. A capa do disco tinha apenas o nome da banda sobre um fundo totalmente branco, o que contrastava e muito com a capa rebuscada de Sgt. Peppers’, e vinha dividido em dois CDs.

Era o início do fim. Os quatro rapazes já não se davam tão bem. “Black in the URSS”, por exemplo, contou com Paul na bateria, pois Ringo se negou a executá-la. As mesmas animosidades se refletiam nas canções, grande parte compostas por cada um, separadamente, o que deu uma grande diversidade de gêneros ao álbum. Havia badalos com “Dear Prudence” e “Julia”, country com “Rock Racoon”, ska em “Ob-la-di, Ob-la-da”, colagens sonoras em “Revolution 9”, sem esquecer da máxima com “While my guitar gently weeps”. Mas nem essas divergências foram capazes de atrapalhar a qualidade do mesmo, afinal, Beatles é Beatles, né?

No Brasil, as bases de um movimento surgido em 1967 ganhavam nome em o Tropicália ou Panis et circense. Este foi, literalmente, ‘made in Brazil’. Encabeçando o grupo vinha Caetano Veloso. Foi ele quem reuniu o time para o coletivo que contou com a presença de Gilberto Gil, Gal Costa, Capinam, Torquato Neto, Nara Leão e os inestimáveis Mutantes e Tom Zé. Tudo sob a batuta do arranjador Rogério Duprat. Os vértices do movimento estavam na semana de arte moderna de 22 (‘Parque Industrial’ de Tom Zé foi tirada do livro de Patrícia Galvão, o Pagu, marca essencial do modernismo) e na antropofagia pregada por Oswaldo de Andrada. Ele misturava as discotomias brasileiras em pleno período ditatorial.

O Panis et circense era uma terceira via musical do país naquele momento, que tinha no embate a MPB e os fãs do iê iê iê. Ele veio meio que para misturar esses dois estilos com um jeitinho abrasileirado. A capa do álbum lembra a do Sgt. Peppers’ dos Beatles e algumas músicas são emendadas como era de gosto do John.

68 está longe de ser um ano a mais no percurso, pois ele é um ano a mais na história, seja ela política, social, cultural ou musical, já que seus fatos ainda não foram todos mensurados. Suas memórias ainda refletem e contagiam nossas almas, espíritos e pensamentos, seja com agrado ou não.

Um comentário:

Giovane C. Rezende disse...

Uma comparação muito massa!! Pro pessoal q curte beatles o white album eh uma excelente pedida, e alguns acabama naum conhecendo essa obra de arte. E o q falar sobre Tropicália? apenas uma palavra "Revolução"!