A instalação de cancelas em vias públicas tem aumentado, porém o número de irregularidades é desconhecido pela prefeitura de JF
por Danielle Damasceno, Jucielle Antunes e Vanessa Verdeiro
A necessidade de privacidade e segurança tem esbarrado no direito do cidadão de ir e vir. Em Juiz de Fora, se tornou normal a presença de cancelas que impedem o acesso à vias públicas. Essa realidade é resultado da falta de esclarecimento em relação aos termos loteamento e condomínio.
Condomínio, na prática, é um espaço reservado a determinado número de pessoas que pagam taxas à uma administração para manutenção desse. Loteamentoé um empreendimento em que o proprietário abre vias de circulação e o subdivide em lotes, desde que o projeto atenda às exigências dos órgãos responsáveis, Prefeitura ou Governo. Porém, os termos Condomínio fechado e Loteamento fechado tem sido utilizados para definir o fechamento de vias públicas, com portões e cancelas, para maior segurança de moradores. Isso perante a Lei é irregular, uma vez que todos têm direito a ter acesso a tais ruas onde serviços públicos, como pavimentação, recolhimento do lixo e iluminação, por exemplo, são prestados .
De acordo com a coordenadora de Planejamento Territorial da Prefeitura de Juiz de Fora, Cecília Maria Rabelo Geraldo “Ninguém pode fechar uma rua, nem mesmo a prefeitura. A rua não é da prefeitura, é do povo da cidade. Pra desafetar a rua, é preciso lei em nome do povo da cidade.”
A coordenadora também menciona que a Lei Federal nº 6.766 do ano de 1979, que trata sobre parcelamento de solo, é uma forma de tentar legalizar essa situação. Essa lei prevê principalmente a análise do sistema viário do município para verificar se o fechamento não afetará o trânsito, serviços públicos e o cotidiano da população. “A partir do momento em que permite o fechamento, passa a ser como prédio. A prefeitura não entra mais”.
Ou seja, o uso dessa lei por algum loteamento em Juiz de Fora implicaria na isenção de prestação de serviços públicos. Os moradores teriam que arcar com os gastos da manutenção do local prestados por órgãos públicos ou contratados por esses, como EmPav, Demlurb e Cesama.
No entanto, apesar da existência de cancelas e portarias, serviços públicos são prestados.
O sindico Edson Vila Real, do condomínio fechado Jardins Imperiais, relata que os moradores pagam os mesmos impostos que os outros cidadãos, com a diferença que foi colocada uma cancela para maior segurança, além da contratação de vigias. “As vias publicas são de responsabilidade da prefeitura”, diz Edson.
Por onde não se caminha
Em Juiz de Fora há um número significativo dos chamados loteamentos fechados, porém a Prefeitura não apresenta registros que mostrem a quantidade exata. A fim de legalizar a utilização de cancelas e portarias 24h, foi outorgada a lei municipal n° 6.908 do ano de 1986. Entretanto, segundo Maurício Luiz Feital, supervisor de Aprovação de Parcelamentos da Secretaria de Atividades Urbanas da Prefeitura de Juiz de Fora (SAU/PJF), somente um loteamento atendeu às exigências dessa lei. Ou seja, a maior parte ainda se encontra em situação ilegal. Nos “condomínios” visitados os porteiros se dizem conscientes de que pessoas que não residem no local podem transitar nessas ruas, mas afirmam que para autorizar a entrada e a abertura da cancela tem que haver a identificação. “A gente não proíbe, porque não existe lei pra isso. Mas a gente identifica, procura saber quem é, essas coisas assim.” Diz Maurélio Melo da Silva, porteiro do condomínio Parque Imperial, que tem como rua principal a Doutor Donato Pinto, no bairro São Pedro.
O principal argumento de pessoas que residem em tais loteamentos é o fato do fechamento não prejudicar o sistema viário. Na opinião de Joana D’arc Rezende, moradora do condomínio Vivenda das Fontes, bairro Milho Branco, “ninguém vai em um edifício de apartamento e fala ao porteiro ' eu só quero entrar para conhecer' , ele permitiria e entrada dessa pessoa? De forma alguma”.
Guilherme Del Monte, residente do Jardins Imperiais, localizado no bairro São Pedro, também acredita que pessoas podem entrar pra conhecer, mas tem que se identificar, pois aonde mora só existem casas, não apresentando nenhum atrativo.
Para a aposentada Celina Schffer, é constrangedor ter que se identificar todas as vezes que vai visitar sua prima no Granville, que tem como via principal a Professor Henrique Hargreaves, do bairro São Pedro.
É direito do cidadão
O cidadão que se sentir lesado deve procurar o Departamento de Fiscalização de Obras e Atividades Econômicas e Urbanas (DFAEU) na SAU/PJF, após registrar um boletim de ocorrência. Caso seja constatado que houve a proibição do livre acesso do cidadão, haverá uma ordem para a retirada da cancela. Segundo Rita de Cássia Guedes dos Reis, chefe do Departamento, “a periodicidade de fiscalização não existe, todos os loteamentos já foram notificados que não podem impedir o acesso”. Para ela, esse impasse trata-se mais do direito civil de ir e vir do que de fiscalização da prefeitura.
Twitter, Orkut e facebook são nomes cada vez mais comuns no dia-a-dia de cada brasileiro. O termo mídias sociais ou Social Media começou a ser difundido no final de 2008, e no final de 2009 atingiu seu ápice, sendo o termo relacionado a web mais pesquisado no buscador Google.
De acordo com o estrategista de mídias sociais Vinicius Montserrat os Brasileiros gastam em média 6 horas por semana em baladas, e 6 horas e 20 minutos em mídias sociais. Isto representa uma mudança radical nas interações sociais dos indivíduos.
As novas tecnologias estão influenciando a maneira das pessoas se apaixonarem, protestarem, e até de consumirem.“Empresas estão começando a visitar blogs para identificar sentimentos coletivos e segmentar suas campanhas de marketing” afirma Márcio ferreira, especialista em comunicação empresarial.
No entanto, usuários ainda divergem sobre sua utilização: Para a estudante Débora Lemos, 22, que mora longe de casa para cursar faculdade em Juiz de Fora, as mídias são uma forma de não perder contato os amigos e familiares que continuaram na cidade. Já para Rafael Bonsanto, 26, as mídias servem para conhecer novas pessoas com interesses comuns e discutir coisas que você não discutiri a no dia-a-dia por falta de oportunidade nos ambientes comuns.
Perfis de usuários a parte, o Brasil é hoje considerado o país mais sociável do mundo de acordo com a ultima pesquisa do Ibope Net ratings. A média de amigos virtuais por aqui é de 365 contatos, enquanto no resto do mundo esse numero é de apenas 195 amigos. A pesquisa também mostrou que para os brasileiros o Orkut está deixando de ser sinônimo de rede social, e que sites como o twitter e o facebook estão em ascensão
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Amor e Amizade 2.0
Foi-se o tempo em que para procurar a sua alma gêmea as pessoas dependiam da distância geográfica. A internet encurtou distâncias e as mídias sociais facilitaram desde a busca pelo amor até mesmo a criação de laços de amizade não-convencionais, baseados em gostos em comum. Encontrar a cara-metade foi o caso do estudante de engenharia carioca Felipe Dias, 21, que conheceu seu atual namorado através de um aplicativo do Facebook, o Are you Interested?, e hoje já estão juntos a 10 meses. “Com relacionamentos na web, você tem formas mais dinâmicas e mais focadas de encontrar pessoas com interesses similares aos seus” afirma.
Com a professora Juliana Bertolazi, 25 e o Gourmet Thiago Arosio, 26 aconteceu um pouco diferente: os dois se conheceram em uma comunidade do Orkut destinada a um programa de TV. Formou-se ali um grupo de amigos, e depois de algum tempo, eles começaram a se encontrar. “O relacionamento sempre foi de amizade, nos conhecemos, nos tornamos amigos e sempre saíamos em grupo nos orkontros, depois de um tempo que começamos a sair sozinhos e ninguem sabia até que rolou.” afirma Thiago.
Depois de alguns encontros, os dois decidiram oficializar a relação, mesmo com a distância. Juliana e Thiago, que moram em cidades diferentes, compensam a saudade nos fins de semana. Para se encontrarem, gastam cerca de 2 horas no trajeto São Paulo – Diadema. E agora, passado cerca de três anos desde o primeiro contato, o casal decidiu dar um grande passo na relação: vão se casar!
Alguns dos padrinhos vem de outras partes do Brasil, fruto da amizade feita anos atrás que ajudou a unir o casal. É o caso da contadora bahiana Mara, 26, que acredita que a medida que os relacionamentos virtuais se solidificam saem do monitor pra vida real “Eu sai de Salvador para São Paulo uma vez, pra ficar na casa de pessoas que nunca tinha visto na vida... Acho que a vontade dos encontros surge no momento que os sentimentos ficam mais fortes, afirma.
Para a psicóloga Ana Stuart, a internet pode ser uma grande aliada para pessoas tímidas, que têm medo de um primeiro contato. Segundo ela, os jovens são os principais usuários dos bate-papos virtuais. Isso porque, na juventude, há uma grande necessidade de ser ouvido e de ser compreendido. “Antes esse contato era feito por telefone. Os pais gastavam uma fortuna. A internet vem para facilitar esse processo.”, explica Ana. Porém, a psicóloga alerta para possíveis problemas com o uso da ferramenta. “Tudo em excesso é ruim. Pode haver uma acomodação por parte de quem precisa enfrentar o contato pessoal.” Ana ainda comenta os cuidados que devemos ter nas relações virtuais.. “Tem gente que consegue ter uma postura no virtual, que não consegue ter no real. Ou por vergonha, ou por compulsão pela mentira, ou porque idealiza uma personalidade que na verdade não tem. E por isso, as pessoas têm que ter muito cuidado nas relações virtuais. Porque na verdade, eles ali podem estar falando com a pessoa conscientemente, ou podem estar falando com uma pessoa que está fantasiando o seu perfil.“
Mobilização 2.0
Com as novas possibilidades de interação proporcionadas pela web 2.0, muitas ações que antes só podiam ser feitas presencialmente, hoje são realizadas por meio da internet. Um bom exemplo disso são as manifestações que acontecem nas redes sociais e tomam proporções cada vez maiores.
Essas manifestações possuem objetivos diferentes, desde a aprovação de um projeto de lei até uma grande piada interna. Assim aconteceu com duas ações recentes: as campanhas Ficha Limpa e Cala Boca Galvão.
A campanha Ficha Limpa surgiu em abril de 2008 com o objetivo de melhorar o perfil de candidatos a cargos políticos no país. Para isso, foi feito um projeto de lei tornando mais rígidos os critérios de quem não pode se candidatar. Para que esse projeto de iniciativa popular se torne uma lei, é preciso que ele seja votado e aprovado no Congresso Nacional. A campanha teve uma enorme adesão e causou grande repercussão na internet, sendo recolhidas mais de 2 milhões de assinaturas. “Se tanta gente não tivesse se envolvido, talvez o projeto nem tivesse sido aprovado”, diz Fernanda Cabral, que participou da campanha.
Video do cala a boca galvão
Outra campanha recente de grande adesão foi a Cala Boca Galvão, uma brincadeira com o locutor Galvão Bueno que acabou se transformando em uma enorme piada interna. A movimentação começou no Twitter, onde os usuários postavam a tag #calabocagalvao. Os usuários que não falam português, sem entender nada, começaram a perguntar o que significava a tal expressão. Várias foram as repostas dadas, entre elas que Cala Boca Galvão era o novo hit de Lady Gaga ou que a expressão, traduzida para o inglês, significava “Save the Galvao Birds” (Salve os pássaros Galvão). Após essa nova brincadeira, surgiram vídeos e perfis de um suposto Galvão Institute, que lutava pela preservação dos tais pássaros. Essa grande piada brasileira tomou proporções mundiais, sendo publicadas matérias em grandes jornais, como o New York Times.
RP 2.0 - As relações publicas nas mídias sociais
As mídias sociais estão cada vez mais inseridas no dia-a-dia das pessoas em todo o mundo.Foram elas que ajudaram a eleger o Presidente atual dos Estados Unidos da América, Barack Obama, segundo dados revelados em pesquisas posteriores as eleições e estão revolucionando o jornalismo, reinventando a maneira de se produzir as propagandas.
Segundo informações do IBOPE Nielsen Online (parceria entre o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística e a Nielsen), 85,6% dos internautas brasileiros permaneceram conectados em alguma mídia social no mês de março deste ano. E dados da ferramenta online NetView, revela que sites desse segmento foram campeões de acesso no Brasil.
É bem provável que você leitor tenha pelo menos um perfil no Orkut. E já parou para pensar no quão rentável essas mídias podem ser para empresas, artistas e até políticos? Ainda pelos dados da Nielsen, comprovamos que a popularidade deste tipo de mídia é inegável e que empresas atentas às novas tendências estão adotando novas formas de divulgação de seus produtos e serviços. Considerando os números acima, torna-se possível concluir que elas estão apostando no lugar exato.
As Lojas Americanas, por exemplo, postam diariamente no Twitter as promoções do dia e, uma vez ou outra, lançam promoções que oferecem prêmios. Em uma dessas ações, os internautas deveriam ler as dicas lançadas no Twitter e tinham de buscar códigos e outros dados no site. Esse tipo de estratégia influencia as pessoas a olharem outros produtos e, às vezes, a comprar algo. Pode até não ser 100% eficiente, já que não são todos que possuem conta na rede, mas é um método eficaz para conseguir consumidores.
O Centro de Ensino de Inglês e Espanhol de Juiz de Fora, FISK, usa de métodos parecidos com o das Lojas Americanas. Os perfis da escola estão no Orkut, Blog e Twitter. As promoções são constantes e os prêmios variam entre objetos, como relógios, bolas, viagens e até um semestre estudando grátis. A responsável pelo marketing da FISK, Juliana Cetrim da Cereja Web, afirmou que as mídias sociais são as maispoderosas formas de divulgação da atualidade. “Optamos por utilizar o Orkut e o Twitter que são os mais populares no Brasil. Através dessas redes podemos informar os usuários sobre as promoções, notícias e outros eventos da escola, incentivando-os sempre a acessarem o site, conhecerem os cursos da FISK, e até aprenderem um pouco de inglês e espanhol através dos Blogs,” acrescentou.
De acordo com os dados da Nielsen, no Brasil o Orkut ainda é a mídia mais usada pelos brasileiros. O Facebook aos poucos conquista novos públicos e o Twitter, com os seus 140 caracteres, já virou mania. E existem muitas outras mídias. A banda de rock No Jolly de São Paulo, por exemplo, possui perfil no Myspace, Fotolog, Tramavirtual, Purevolume, Oi novo som, Bandas de Garagem e Palco MP3, além do Twitter e do Orkut. O baixista da banda, Wil Cowen, explicou por que escolheu esse meio. “É de fácil acesso, qualquer um da banda pode atualizar e temos maior contato com nossos fãs,” destacou. Já o cantor Bruno Miguel diz que a internet evoluiu junto com sua carreira, se sente um pouco filho dessas mídias. “Por lá as pessoas me conheceram primeiro, opinaram e influenciaram no meu trabalho,” comentou.
E qual dessas mídias é a mais poderosa? Marlon, da dupla sertaneja Marlon e Maicon, diz que o Twitter é o canal com mais interatividade. “Acessamos o Twitter todos os dias e às vezes ficamos online conversando com áudio e voz disponíveis. Falamos principalmente sobre nossa carreira e respondemos perguntas dos fãs. Quando existem questões nacionais, deixamos nossa opinião também”, destacou.
Filipe Vieira, vocal da banda de rock Líria de Juiz de Fora acredita que o Twitter existe um retorno mais constante por parte dos fãs e isso proporciona um aumento na quantidade destes nos shows. Diferente dos dois, Bruno Miguel revelou estar assustado com a quantidade de vídeos de músicas dele postados no Youtube, e principalmente com a quantidade de visualizações. “O último relatório encontrou mais de 1.000 gravações domésticas em webcams, de gente cantando Faz assim. Fico muito feliz por esse resultado espontâneo”, ressaltou.
De acordo com os números do Ibope, o Twitter é a rede que obteve mais adeptos nesse ano. A escolha dos usuários por essa rede é por possuir uma interface simples e a comunicação ser rápida e dinâmica.
A jornalista Ana Carolina Neves diz que o segredo é sempre inovar. Ela trabalhou na divulgação do trabalho do cantor Bruno Miguel e o recurso mais usado eram as promoções. Um dos prêmios foi um jantar no Rio de Janeiro com ele. Para isso, as fãs conectadas no Orkut tinham que fazer um vídeo e pedir muitas pessoas para votarem. Uma jogada de marketing inteligente, já que para votar eram obrigadas a participar da comunidade oficial do Bruno. “A ideia era que ao entrar na comunidade as pessoas se interessariam em conhecer quem era o cantor”, afirmou. Segundo ela os resultados foram excelentes e totalizaram 3027 votos e o crescimento do número de fãs, que obrigaram o artista a criar mais seis perfis no site.
E as mídias sociais já chegaram à política.
Políticos de todo o mundo estão ligados no potencial das mídias para as próximas eleições. O conceito de como se fazer campanha política mudou depois que Obama venceu as eleições. Ele arrecadou dinheiro para a campanha e conseguiu adeptos após usar a internet para se promover. Um desses adeptos criou um perfil no Myspace e chegou a 160.000 pessoas. Barack Obama divulgou vídeos no Youtube com promessas de investir em pesquisas tecnologias, liberar a banda larga para os americanos e se comprometeu a divulgar dados de seu mandato na internet. Hoje, o presidente americano possui perfil no Facebook e Twitter.
No Brasil, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, foi o primeiro a usar a internet em sua campanha. Uma das iniciativas foi criar um blog chamado 25 horas com Kassab e um bonequinho, o Kassabinho. Essa interatividade aproximou os eleitores, e principalmente o público jovem.
Foto de divulgação. O Kassabinho.
O vereador do município de São João Nepomuceno, Írio Henriques, acredita no poder da internet. “São muitos os jovens conectados, e dessa forma o público atingido se torna muito favorável ao nosso propósito. Lá podemos expor nossas propostas e coisas do nosso dia, que nos aproximam das pessoas criando formas de identificação mais sólidas”, afirmou. E nas próximas eleições o vereador pretende seguir a nova tendência. “Seguirei as leis, e se for permitido, com certeza farei uso desta tecnologia”, revelou.
A jornalista Ana Carolina Neves destaca que os políticos brasileiros ainda não estão preparados para essa nova fase. “Não adianta usar só na época das eleições. Os políticos ainda não descobriram o que podem fazer de útil”, ressaltou.
Ano passado aconteceu a votação para a reforma na lei para a liberação do uso irrestrito da internet nas campanhas eleitorais. A proposta foi aceita e a única restrição foi às TV Web, que em caso de debates deveria seguir as mesmas regras das televisões. A questão divide opiniões. Uns defendem total liberdade e outros acreditam que deveria haver mais restrições. “A Constituição da República Federativa do Brasil, CRFB, resguarda o uso das mídias mais populares para propagandas eleitorais que, naquela época, eram o rádio e a TV. Hoje, a internet está disseminada por toda a sociedade. Acho justa a propaganda nesse meio e o legislador não deve se abster de promulgar leis que definam esse uso e assim não ocorrerem abusos”, afirmou o estudante de direito da UFRJ, Marcus Felipe Souza Ramos.
E a comunicação digital é assim, provoca curiosidade, oferece conhecimento, possibilita a troca de experiências e muito mais. E a pergunta para o futuro é: O que mais será de domínio das mídias sociais? Você é capaz de responder, ou só o tempo para dizer?
Com o início da veiculação das propagandas eleitorais no dia 6 de julho, começa oficialmente a corrida para as eleições. Com isso os políticos aproveitam o estado de euforia dos veículos midiáticos em sua vontade de produzir e a aliam aos eleitores, com vontade de absorver notícias e idéias de possíveis candidaturas.
Especialmente nesse momento de eleições, candidatos se utilizam desses meios para divulgar obras concluídas, trabalhos exercidos em prol da comunidade e uma boa imagem, que os favorecerão na corrida presidencial, estadual ou municipal. Procura-se abranger o maior número de pessoas e, para isso, os diversos meios de comunicação se fazem instrumentos de campanha. Porém, alguns deles ainda se equivocam ao deixar transparecer suas opiniões, faltando com a imparcialidade que é exigida aos meios de comunicação informativos.
Cargos a serem ocupados
Nas eleições de 2010 os cargos que estarão em disputa, além do Presidente da República, são governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distrital - no caso de Brasília. No Senado, 54 das 81 cadeiras estarão em disputa. Como cada estado tem direito a três assentos, em 2010 serão eleitos dois senadores por estado. No caso da Câmara, todas as 513 cadeiras estarão em disputa, e cada estado tem direito a um número diferente de deputados federais, dependendo de seu número de habitantes. Nas Assembléias Legislativas (e na Câmara Legislativa do Distrito Federal), todos os 1.057 assentos do país deverão ser disputados, sendo que o número de deputados em cada estado varia de acordo com sua população.
Fiquem atentos às regras:
Pode:
- Carreata
- Panfletagem
- Carro de som
- Passeata
Não pode:
- Distribuir camisetas
- Cestas básicas
- Boné
- Brindes
- Propaganda em postes, viadutos, outdoor e locais públicos
Permitido com restrições:
- A realização de comícios, mas sem shows.
- Internet; utilização de blogs, redes sociais e mensagens instantâneas, somente com identificação do candidato e recurso do eleitor cancelar o serviço quando quiser.
Espaço na mídia:
Para que tantos cargos possam ser ocupados é necessário que o eleitor tome ciência dos candidatos e suas propostas. Os meios mais utilizados são a televisão e o rádio que, por isso, agregam às suas programações nessa época de eleição, o Horário Eleitoral Gratuito.
Este foi instituído pela lei Nº 4.737, em 15 de julho de 1965, que criou o Código Eleitoral Brasileiro. O horário de veiculação é dividido em dois períodos, na televisão um das 13h às 13h30m e das 20h30m às 21h, já no rádio, é das 7h às 7h30m e das 12h às 12h30m.
A propaganda não poderá ser exibida em outro horário, senão o reservado à Propaganda Gratuita.Essa regra busca igualar os candidatos, pois se fosse permitida a propaganda paga, apenas os candidatos mais favorecidos e que contassem com maior apoio de colaboradores, é que dominariam esses meios de comunicação.
Assessoria Política
Nesse processo de divulgação de candidaturas os assessores de imprensa dos políticos têm papel importante e trabalho dobrado. Vanessa Martins, assessora da vereadora Ana do
Padre Frederico, PDT, diz que para a campanha da vereadora foram feitos muitos santinhos, utilizaram carro de som, faixas e a propaganda eleitoral televisiva. Após ser eleita, veiculam obras realizadas e atos da vereadora principalmente através de um site próprio, que atualmente está desativado devido a um processo de reformulação e troca dos gerenciadores, e pelo site da Câmara Municipal. Perguntamos se ela percebe alguma diferença entre a assessoria de uma mulher – Ana do Padre Frederico é a única mulher ocupando um assento de vereadora em Juiz de Fora; ou se o tratamento e os cuidados com a veiculação de informações sobre a vereadora é o mesmo que para os demais vereadores. Para ela a assessoria de uma mulher se vale dos mesmos artifícios que a de um homem, pois os pontos a serem trabalhados são os mesmos: repassar textos do político, organizar a ida ou não a eventos e até tentar contornar um contratempo que surgir, o que ela afirma não ter acontecido até hoje com a vereadora. Quanto à estética, Vanessa diz que não orienta muito a vereadora porque ela, como toda mulher, gosta de se arrumar sozinha e possui um estilo próprio que a retrata muito bem, além da personalidade forte. Por isso não seleciona eventos a participar, procura ir a todos, como a própria vereadora nos disse “desde passeata da Igreja Evangélica a eventos de funk”.
A assessora diz que Ana do Padre Frederico ainda não pensa em utilizar das redes sociais para a divulgação do trabalhado realizado, mas prefere as notícias “boca a boca” da população ajudada, que surtem um efeito maior em conjunto ao site.
Em contrapartida, ao perguntarmos a Valéria Passos de Assis, assessora do vereador Tico-Tico (Antônio Martins), PP, ela relatou que seu trabalho concentra a marcação de reuniões e eventos adequados a uma boa imagem do político, consultorias a respeito dos assuntos dos projetos de leis, que engloba pesquisa na internet e de campo com o vereador e ajuda no vestuário, pois “ele sempre está vestido com a camiseta dele, há certos eventos que não condizem com esse tipo de roupa” – a camiseta traz os ideais de campanha e mandato do vereador. Além disso, produz panfletos e cria e envia releases sobre os atos de Tico-Tico para o jornalzinho produzidos por ele, chamado “A comunidade”, que circula na região nordeste de Juiz de Fora, especialmente no bairro Nossa Senhora das Graças.
Para Valéria ainda há muito que ser feito, especialmente em Juiz de Fora, no cenário de divulgação de atos dos políticos. “Há de se aproveitar os meios de comunicação para manter a sociedade informada do que acontece a favor dela. Por exemplo, o pouco que é veiculado a respeito do Tico-Tico é feito através do jornalzinho e das atualizações do site da Câmara, mas um programa de TV que transmitisse tudo isso, deixaria a sociedade muito mais informada não só do que ela adquiriu, mas também das reivindicações que pode fazer”.
O que pensar sobre isso
Muito há que se questionar em relação aos métodos utilizados para a divulgação de campanhas, o modo como são trabalhadas em cada veículo e suas eventuais imparcialidades. A cada eleição que acontece os candidatos tentam se adaptar à realidade da população, em tempos de tecnologia e mídias sociais, a política deixa um pouco seu caráter corpo a copo e passa a ser mais midiatizada.
O Doutor em Ciência Política, Paulo Roberto Figueira, destaca que “o novo palanque não é mais o palanque físico, é um palanque eletrônico”. Nas candidaturas presidenciais brasileiras, fazendo uma comparação com as eleições 20 anos atrás, o tempo destinado à gravação de programa eleitoral gratuito de rádio e televisão atualmente é evidentemente maior do que o número de cidades que serão visitadas por cada político.
Se imaginarmos o nível de pessoas que são alcançadas com a televisão, podemos perceber que mesmo que façam muitos comícios não irão atingir tanta gente como um programa de televisão em rede nacional. Hoje não dá mais pra compreender as estratégias dos atores da política se não na percepção de que a comunicação de massa tem uma função estratégica e talvez seja o lugar em que se definam as eleições.
De acordo com Paulo Roberto, “é a modificação perene de uma tendência de que a comunicação de massa seja o lugar onde a política se decide, onde se alcança o maior número de eleitores. Portanto, algo que tem um peso, uma dimensão estratégica maiores hoje do que tiveram em qualquer atuação anterior”.
Hoje podemos perceber que a mídia é o lugar onde a campanha se trava, e é cada vez mais a necessário saber usá-la. Há um deslocamento do espaço das pessoas da política de seus lugares tradicionais, para os meios de comunicação de massa. A política se midiatizou. É notável que os meios de comunicação têm um papel relevante na definição de agendas eleitorais e do processo eleitoral.
Como prova disso, os novos recursos, como a internet proporciona a participação efetiva do eleitor nas campanhas. Ele não é apenas receptor, pois comenta e até mesmo critica a campanha.
Beleza vs. Adequação
A beleza não é uma característica exigida aos políticos, mas o que se deve atentar é quanto à adequação. Não se considera a questão do belo ou da falta dele, mas a adequação de um conjunto de signos visuais a certas demandas de fatia do eleitorado.
Se imaginarmos que os candidatos usam roupa aleatoriamente, isso não é verdade. Eles vão usar todo um conjunto de escolhas que ajudam a construir e dar certo sentido àquele personagem que estão encarnando. Do mesmo modo em que há cada vez mais uma preocupação em perceber quais são as associações que determinadas faixas do eleitorado fazem com os vestuários.
Candidato ou Candidata?
Há uma mácula cultural da participação feminina no espaço político que presta nos baixos índices de parlamentares que, por exemplo, nós temos no congresso nacional brasileiro. Há uma disputa cultural a ser travada, pois não há qualquer necessidade de que esse seja um espaço predominantemente masculino. Hoje já são 51% de eleitoras no país, sendo razoável que se tenha uma participação convergente a esse número, certamente maior do que a que temos hoje.
Paulo Roberto ainda afirma que “não é uma invenção da mídia que haja uma visão socialmente consolidada de que política é algo masculino. Infelizmente é um valor cultural que está muito enraizado e equivocado na sociedade”.
A luta para manter uma Organizada de clube pequeno baseando-se no apoio ao clube e na não violência dentro e fora dos estádios.
PorGiovane Carvalho Rezende
No dia oito de abril, poucos torcedores dobravam melancolicamente as faixas da torcida, o Tupi havia sido eliminado do Campeonato Mineiro pelo Ipatinga nas quartas-de-final. Por mais um ano o clube saia da competição após chegar a sentir o gosto do sucesso, o que durante anos tem espantado e afastado muitos dos que resolvem aparecer no Estádio Municipal Radialista Mário Helênio, menos os membros dessa torcida. Formada há três anos por membros da comunidade oficial do site de relacionamentos Orkut, a Torcida Organizada Tribo Carijó era uma forma de unir os mais fanáticos Carijós, nome pelo qual são chamados os fãs do Tupi, e criar um movimento de apoio ao clube, que sempre sofreu com a falta de apoio vindo das arquibancadas.
Após muitas conversas enfim no dia 12 de outubro de 2006 a Tribo se reuniu pela primeira vez. “A faixa de pano, uma espécie de identificador da torcida, não era grande, mas a disposição de ajudar o clube do coração com músicas e cantos era imensa, a partir daí, muitos aderiram à causa e a torcida cresceu muito no primeiro ano e teve condições de fazer novas bandeiras e faixas”, disse Miguel Guastucci, ex-diretor da torcida, hoje membro participante. Se para um clube grande isso é difícil, mesmo existindo milhões de torcedores, imagine para um clube com média de público inferior a 2000 pessoas por jogo. “Muitos não entendem o que fazemos e porque fazemos. Me perguntam sempre o motivo pelo qual eu torço por um clube de série D, a quarta divisão do Campeonato Brasileiro”, afirmou Eduardo Kaehler, membro da torcida há dois anos. A verdade é que as incertezas vividas pelo clube alvinegro levam muitos a desistir de acompanhá-lo e continuar a torcer por equipes de divisões maiores, inclusive e principalmente os clubes do estado do Rio de Janeiro, costume muito comum entre os juizforanos.
Atrás da paixão maior
O Tupi Football Club tem 98 anos de fundação e nenhum título profissional em nível nacional, apenas um campeonato mineiro da segunda divisão, ganho em 2001 e uma Taça Minas Gerais, ganha em 2008. O clube vive do prestígio, quase esquecido, de uma equipe vencedora da década de 60, denominada “O Fantasma do Mineirão”, cujo maior feito foi ter vencido os três “grandes” de Belo Horizonte, América, Atlético Mineiro e Cruzeiro, dentro do Estádio Governador Magalhães Pinto, o famoso Mineirão. Por conta disso, existem muito poucos torcedores jovens e quase nenhum torcedor exclusivo do Tupi, geralmente os simpatizantes torcem também para algum clube de divisões superiores.“Tem que ser apaixonado para torcer pelo Tupi” confirmou Eduardo Kaehler.
Na Tribo existem torcedores que tentam manter apenas a paixão pelo Carijó e abandonaram completamente os seus antigos clubes de coração. “Já torci muito pelo Vasco, hoje acompanho o Tupi em qualquer lugar. Já fui desde o Mineirão até o Moça Bonita, estádio do Bangu no Rio de Janeiro, para acompanhar o Galo”, disse Eduardo.
A Torcida, sempre que possível, acompanha o time nos campeonatos. A realização de caravanas é uma das bandeiras da Tribo, que promete em seus lemas e suas músicas estar presente em qualquer lugar que o Tupi jogar. A primeira viagem da Organizada foi para assistir a uma partida da Taça Minas Gerais de 2006 contra o Villa Nova em Nova Lima. Desde então a torcida não parou mais. Dentro do estado de Minas Gerais, a Tribo já colocou suas bandeiras e faixas em quase todos os estádios dos clubes da primeira divisão do campeonato estadual mineiro.
Mas nem tudo são flores. Na viagem para o Rio de Janeiro com a finalidade de acompanhar a partida entre Tupi e Madureira, válida pelo Campeonato Brasileiro da série D no ano passado, aconteceram vários imprevistos. “Por causa de problemas no ônibus tivemos que andar a pé pela baixada fluminense e uma viagem que duraria poucas horas demorou quase um dia inteiro”, disse Rodrigo Liquer, diretor da Tribo Carijó.
Driblando as desconfianças
Uma pesquisa da TNS Sport Brasil realizada em novembro de 2009 mostra que 84,75% das 8.216 pessoas ouvidas associam a violência nos estádios de futebol às torcidas organizadas. Na mesma pesquisa foi feita a seguinte pergunta: "Se as torcidas organizadas fossem banidas do futebol, o torcedor iria assistir aos jogos nos estádios?" A resposta sim foi escolhida por 61% dos entrevistados.
Uma das bandeiras da Tribo é a da não violência e a busca por parcerias amistosas entre outras torcidas. “Temos amizades com outras torcidas organizadas em Minas e no estado do Rio”, afirmou Rodrigo. Entre as parceiras da Tribo estão a Seita Verde, do América Mineiro de Belo Horizonte, a Camisa 12, da Caldense de Poços de Caldas, a Pantera cor-de-raça e a Demorkut, do Democrata de Governador Valadares e no estado do Rio de Janeiro a torcida Sangue Jovem, do América.
Mesmo essa postura pacífica não impediu que acontecesse uma das maiores tristezas da torcida. No ano passado no confronto contra o Macaé, alguns torcedores do Tupi, nervosos devido o resultado da partida, rasgaram uma das faixas da Torcida Organizada Império Macaense e esta torcida relacionou o incidente com a Tribo Carijó, por essa ser a maior organizada do alvinegro. Na partida posterior os torcedores do Macaé revidaram o ataque sofrido em cima de um torcedor da Tribo. Ele foi agredido no centro de Juiz de Fora por alguns membros da Império e só conseguiu fugir após algumas torcedoras do time fluminense pedirem para que ele fosse solto. Esse torcedor é Marcus Vinícius de Oliveira, ex-membro da torcida alvinegra. “Eu estava indo para o ponto em frente ao Stella, colégio particular da cidade, e fui cercado por alguns homens que me agrediram e rasgaram minha roupa. Senti muito medo e depois que tudo passou senti muita raiva”, relatou Marcus.
Esse incidente irritou profundamente os membros da Tribo e ao próprio Marcus que acabou perdendo a vontade de fazer parte de algo do gênero. “O perfil da torcida não era de violência e sim de paz. Eu me senti abandonado e acabei por perder a confiança. Hoje não me vejo como parte de nenhuma torcida organizada” disse ele.
Fazendo o show no estádio
Fogos de artifício, chuvas de prata, fumaças coloridas. Esses são alguns dos materiais usados para fazer espetáculos no estádio Municipal. E para uma organizada fazer a festa para os atletas em campo é de extrema necessidade, aliás, é a função principal de uma torcida organizada. “Uma organizada deve apoiar sempre o time pelo qual ela torce independente da situação que ele esteja, além disso, ela é um dos principais acessos dos torcedores comuns para com sua equipe para cobrar empenho e dedicação máxima dos atletas e bons resultados quando sua equipe enfrenta uma crise” afirmou Rodrigo Liquer.
Esse apoio por parte da organizada é muito bem visto pelos torcedores que não são membros efetivos da organizada. Algumas músicas da Tribo já foram cantadas por todo o estádio. “Acho a participação da Tribo muito positiva. É uma torcida pacifista e que faz belos shows. As festas são bonitas mais pela disposição de seus membros do que pela quantidade de pessoas” disse o torcedor carijó Henrique Fernandes.
As torcidas organizadas são contestadas, não são indispensáveis, mas elas são importantes. “Os shows dados por elas valorizam ainda mais o jogo de futebol e é uma característica do futebol do futebol brasileiro” afirmou Henrique.
Expectativas
No mês de julho o Tupi retoma sua caminhada em busca do acesso para a série C do Campeonato Brasileiro. E a Tribo promete voltar com tudo. Após um ano de incertezas, com a saída de membros e sem saber ao certo o futuro do clube de coração, os torcedores prometem se organizar e ficarem cada vez mais fortes. Foi criada uma lista de cadastro e os inscritos podem, caso tenham condições ou desejem fazer, pagar uma quantia mensal de R$10,00 para ajudar na manutenção da torcida. “Fazer o que a gente faz não é fácil e sem apoio fica mais difícil ainda. A contribuição dos membros ajuda bastante nas festas, nas viagens e para adquirir novos materiais” disse Eduardo Kaehler. Entre os principais problemas enfrentados estão a falta de dinheiro, a rejeição por parte de alguns por ser uma organizada e a falta de apoio de alguns setores do próprio clube.
Mas apesar de tudo isso, a torcida se apóia no ideal de nunca vaiar o time e no fato de ser pacífica, para atrair novas pessoas que se interessem em manter vivos esses ideais. “As expectativas são as melhores possíveis, apesar dessa parada no calendário ser um fator possível para uma quebra de ritmo. Mas com a vontade que vejo nas atitudes e pensamentos dos nossos membros mais antigos e até mesmo de novos membros que entraram de cabeça no nosso projeto vamos voltar ao topo do cenário estadual” confirmou o diretor Rodrigo Liquer.
Os membros da Tribo seguem firmes na luta pelo que acreditam e, apesar das dificuldades que enfrentam, conseguem observar um futuro melhor não só para eles como também para o Tupi, afinal, não haveria motivo de existir a torcida se o clube não existisse. “Quem acreditar no nosso ideal e quiser ajudar na festa, é só aparecer na frente da nossa faixa nos jogos do Tupi”, convocou Rodrigo. Como diz uma das músicas compostas por eles: “ó meu Tupi, meu grande amor. Estou contigo sempre aonde você for”. E na busca por esse objetivo eles seguem.
MARCADO POR COINCIDÊNCIAS HISTÓRICAS, O BRASILEIRO TEM MUITO MIAS LAMENTAR DO QUE PARA COMEMORAR NESSE FERIADO NACIONAL.
Influenciado pelo movimento iluminista francês do século XVIII, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, integrou um movimento que lutava, entre outras coisas, pela liberdade da colônia em relação à Portugal. Por esse motivo, foi executado no dia 21 de abril de 1792.
Bem mais tarde, em 1960, no mesmo 21 de abril é inaugurada a nova capita da república pela qual morrera Tiradentes, Brasília. O “plano piloto” elaborado pelo urbanista Lucio Costa foi presenteado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, que deu suas inovadoras curvas a Brasília, transformando a nova capital num espetáculo arquitetônico à parte. Fechadas as portas do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, antiga capital do Brasil, os olhos do país se voltaram para o planalto central, de onde o então presidente Juscelino Kubitschek governaria a nação.
Também em um 21 de abril, morreu Tancredo Neves, eleito presidente do Brasil em 15 de janeiro de 1985, mesmo ano de sua morte. Integrante de movimentos anti-ditadura, participou ativamente das “Diretas já” e da instalação do parlamentarismo, adiando o golpe militar de 1964.
Podemos atribuir aos três casos citados a presença do “fantasma” do dia 21 de abril. Sendo a capital nossa única história de nascimento, na atual conjuntura, o que se vê é uma nação que apodrece de dentro para fora. No coração do Brasil, Brasília comemora seus cinqüenta anos manchada pela corrupção e pelos gritos dos manifestantes, abafados hoje por shows de artistas famosos, na boa e velha política do “pão e circo”.
Preso, o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, sintetiza o que ocorre em todo o país. Na cidade em cruz desenhada por Lúcio Costa e projetada por Oscar Niemeyer, está representada a histórica mistura entre o sonho da modernidade e os vícios que nos atam ao passado. Por esse desejo de modernidade, morreu Tiradentes, lutou Tancredo Neves. Hoje o que se vê no meio do cerrado é a nuvem negra da corrupção, para decepção de quem dedicou a vida para mudar tudo isso.
FESTA DE ANIVERSÁRIO
Para celebrar seus cinqüenta anos, Brasília presenteou os brasilienses com muitas apresentações. Próximo à Biblioteca Nacional, até um desfile com personagens de Walt Disney foi programado para entreter as crianças. Entre os artistas que se passaram por lá, Daniela Mercury apresentou atrações como Paralamas do Sucesso, Raimundos, Milton Nascimento e Nando Reis, que fez um Tributo à Cassia Eller. E não foi só ele que lembrou a colega de palco para celebrar a capital. O jornalista Riacardo Noblat, colunista do jornal O Globo, postou na mesma data em seu Blog o clipe da roqueira cantando a música Malandragem. Às 00:30, um show pirotécnico encerrou a festa. De Brasília, o estudante de Geografia da Universidade de Brasília, Lucas Giarola, 22 anos, diz que a festa estava linda. “A cidade está limpa, cheia de gente. Nunca vi tantos policiais garantindo a segurança de um evento. Meu pai contou que desde os tempos da ditadura também não via tantos.. É muito bom ver as pessoas comemorando, mas me pergunto por que nem metade delas estava aqui quando pedíamos pela saída do Arruda do governo”, se lamenta Lucas, que acompanhou os shows comemorativos.
PASSADO, PRESENTE E HISTÓRIA
Marcada por acontecimentos importantes o dia 21 de abril, feriado nacional, proporciona ao brasileiro 24 horas de descanso para refletir sobre a situação do país – ou para comemorar, como aconteceu na capital. Construída com o propósito de dar um passo a frente no que seria o começo de um Brasil moderno e mais justo, os tais “cinqüenta anos em cinco”, como prometeu Juscelino Kubitschek certamente não se concretizaram. De acordo com a historiadora Edméa Fonseca, todo o sentimento de esperança que rondava Brasília na época em que foi construída traduzia os desejos de um povo para o qual as melhorias nas condições de vida eram extremamente necessárias. Especialista em história do Brasil, ela diz que comparar todos esses acontecimentos coincidentes do dia 21 de abril abre espaço para uma reflexão importante: até quando a semente da corrupção, plantada no tempo de nossa colonização continuará viva e fértil no Brasil?
Entre homens que se dedicaram a construir um novo e melhor país, seja através de cidades, idéias ou política, a nação pouco caminhou.
Ontem fui vacinar contra a INFLUENZA-A e ocorreu um fato que me deixou boquiaberta. Estava na fila esperando a minha vez e uma mulher, com seu filho, mostrava uma receita para uma das atendentes do Posto de Saúde. Pela conversa que não parava, resolvi prestar atenção. Ela teve que pegar uma receita para provar que o filho podia vacinar(não sei a história toda, apenas que ele tem bronquite) e mostrando para a atendente, falou que eram duas vacinas: H1N1 e a INFLUENZA-A. Me deu muita vontade de rir, mas me contive. Fiquei quieta e continuei prestando atenção para ver no que ia dar. A atendente não sabia que era a mesma vacina. De acordo com uma pessoa que eu conversei sobre o assunto, na receita médica estava escrito: INFLEUNZA A - H1N1. Ou seja, não estava escrito que eram duas vacinas, mesmo assim ficaram um tempo discutindo até que resolveram perguntar para outra pessoa que trabalha no local. Esta ,graças à Deus, disse que era a mesma coisa. E ainda cogitaram a possibilidade do médico ter escrito sobre a gripe viral.!? Como pode uma pessoa trabalhar em um posto de saúde e não saber isso? Olha na mão de quem estamos confiando nossa saúde!Verdadeiro absurdo. E ainda tem mais. Apareceu lá uma menina de 19 anos. Ela disse que tem asma e algo que não escutei, e, além disso, é acadêmica de medicina. O atendente aceita que ela vacine sem nenhuma comprovação do que foi dito. Então, mandarei meu irmão de 18 anos dizer algo similiar e poderá vacinar também. Assim, é uma vacina a menos para meus pais tentarem pagar, já que parece ser oitenta reais cada vacina. E lá em casa somos seis e só eu vacino. Haja dinheiro! Por coisas assim que fazemos a pergunta: O Brasil tem jeito?
Ser campeão é um sentimento inigualável. Só quem já foi um dia sabe o que se passa na cabeça. O torcedor não pensa em nada que não seja comemorar e gritar o mais alto que puder: “É Campeão!”. Quando o título demora a vir, o fã fiel não desiste. Ele luta contra as estatísticas, contra a matemática, contra o retrospecto. O time dele continua a ser o melhor, mesmo sem nunca ter acompanhado nenhuma vitória expressiva do mesmo. Afinal, torcedor nada mais é do que o puro e simples estado de paixão.
E essa paixão move montanhas, empurra toneladas, vence desconfianças e mantêm vivas as esperanças de um futuro melhor. Ser torcedor é uma arte, é um estado de espírito. Só quem viveu esses momentos extremos sabe o que isso tudo representa. Quem vence entra em completo êxtase, mas quem perde tem o poder de demonstrar sua fidelidade ao não abandonar sua equipe, assim como não abandona a um membro da família.
A fidelidade da derrota e o êxtase da vitória. Fico com os dois. E quem nunca viveu os dois? Em retas finais é que damos valor a tudo que esse esporte magnífico representa no nosso país e na mobilização que ele proporciona. Podemos não concordar com o resultado, ou não gostar de quem venceu. É válido, somos todos torcedores. Mas que a verdade seja dita, não há nada no mundo que consiga descrever o espetáculo da vitória. As lágrimas, os abraços, o grito preso na garganta que enfim alcança a imensidão.
Parabéns Flamengo, Vasco, América-MG, São Raimundo-PA, os campeões brasileiros de 2009. E que a temporada 2010 traga mais explosões, lagrimas e comemorações sempre pacíficas.
Obs: Completamente inaceitável os atos de violência e vandalismo ocorridos em Curitiba. Que sejam punidos os culpados e que o clube possa se reerguer e retornar ao seu lugar de direito. Espero que no país sede da copa de 2014 não se repitam os mesmos erros que sempre acompanharam o esporte no nosso país. Paz no esporte já! Pelo retorno da família aos estádios! extraído do blog E a Vida Continua...