quarta-feira, 7 de julho de 2010

O destino do lixo em Juiz de Fora

*EDIÇÃO REVISADA

___________ COLETA SELETIVA DE LIXO ___________

O DESTINO DO LIXO EM JUIZ DE FORA
A frequência da coleta seletiva no município reflete o grau de conscientização ambiental da população

Repórteres Felipe Tosetti e Marília Dutra

Cada ser humano produz em média 800g de lixo por dia. Em Juiz de Fora são cerca de 450 mil quilos diários. O destino do que descartamos, na maioria das vezes, é o aterro sanitário e o que poderia ser reciclado e reutilizado acaba se perdendo. Perde o meio ambiente, perde o cidadão, pois além de melhorar a qualidade de vida, a coleta seletiva serve de incentivo para as indústrias de reciclagem, o que resulta em geração de mais empregos.
O Demlurb, Departamento Municipal de Limpeza Urbana, órgão responsável pela coleta do lixo na cidade, disponibiliza três caminhões, identificados na cor verde, para passar em pontos estratégicos e recolher o lixo “seco”, como é chamado material que é separado do orgânico. Porém, moradores ambientalmente conscientes queixam-se que seus lixos recicláveis não são coletados por um órgão público. Gláucia Lordef, moradora de um condomínio localizado no centro da cidade, iniciou uma mobilização no prédio em que mora para que seus vizinhos separassem seus lixos. Bióloga e professora de Ciências, ela esclarece a importância de se ter uma iniciativa local, “pois já é uma forma válida e que pode virar hábito a ser seguido por mais pessoas”. Na ausência de um caminhão recolhedor na rua do prédio em que mora, deixa os separados na portaria do prédio e, bem cedo, por volta das cinco horas da manhã, um catador passa recolhendo.
Os catadores por sua vez desempenham uma função importante no destino adequado dos resíduos. Muitos deles têm nesta atividade a única fonte de renda para seu sustento, que não chega a um salário mínimo por mês. Em Juiz de Fora existem três associações que representam esses trabalhadores informais e que buscam melhorias de condições. São elas: Associação Municipal de Catadores de Papel, Papelão e Materiais Recicláveis Ascajuf, Apares e Associação Casamundo.

Investimentos
Sobre a inexpressível expansão dos serviços de coleta seletiva no município nos últimos anos, o diretor do Demlurb, Aristóteles Faria Neto, conta que devido à necessidade de reestruturação do órgão, todos os investimentos tiveram de ser voltados para coleta domiciliar comum, que se encontrava em estado precário. Entretanto, Aristóteles acrescenta que o cidadão é o responsável direto pela quantidade de lixo reciclado. “O Demlurb não recicla o lixo. Nós apenas recolhemos o que deve ser separado pelo cidadão comum e o destinamos a Usina de Triagem”. De acordo com o diretor, a rota dos caminhões da prefeitura para coleta seletiva não pode ser maior, explica que “hoje nós temos que buscar o equilíbrio entre o custo e a prestação do serviço de reciclagem. Se a gente fosse colocar coleta seletiva em todas as ruas de Juiz de Fora, todos os dias passando com a regularidade como a da coleta comum, sem ter lixo devidamente segregado, gastaríamos dinheiro do município com óleo diesel, com peça de caminhão e com salário de servidores para não recolher nada. Porque se a população não recicla, não se tem o que pegar. É diferente do lixo comum que todo mundo produz, põe para fora, o caminhão, obrigatoriamente, passa três vezes por semana naquela rua e pega aquele lixo e leva para o aterro”. Sobre a conscientização “a postura da coleta seletiva é andar sempre casado com a população, onde se produz mais lixo reciclado, o caminhão tem uma abrangência maior, onde se produz menos lixo reciclado, o caminhão tem abrangência menor”.
Para o geógrafo e professor da UFJF, Geraldo Rocha, por na população a responsabilidade da baixa frequência da coleta seletiva por parte do órgão público é uma conclusão simplista. O fato é que todos sofremos com as conseqüências e por isso é imprescindível que haja esforços de ambos os lados, órgãos públicos e iniciativa privada. Geraldo Rocha, ressalta ainda que em Juiz de Fora o mais preocupante é o destino do lixo industrial, já que não se encontra na cidade local adequado para recebê-lo.

Aterro sanitário
Em Juiz de Fora, principal cidade da Zona da Mata mineira, desde 12 de abril o lixo vem sendo depositado em um novo aterro, respaldado por uma licença prévia, mas que recentemente, no dia 30 de junho, recebeu autorização para funcionamento. Esse recente licenciamento tem validade para quatro anos, com renovação automática após vistoria técnicas. O aterro está localiza na Fazenda Barbeiro, na altura de Dias Tavares, a cerca de 20 quilômetros do Centro da cidade. A unidade substitui o antigo aterro do Salvaterra e recebe agora todo o lixo produzido em Juiz de Fora. A engenheira ambiental do Demlurb, Gisele Pereira Teixeira, se refere ao aterro como Central de Tratamento de Resíduos, pois destaca as qualidades da nova área, que “está totalmente legalizada e possui vigilância 24 horas”. Quanto à coleta seletiva, a engenheira acrescenta que esta é uma excelente alternativa que contribui para diminuir a quantidade de lixo e aumentar a vida útil dos aterros sanitários.


O fim das sacolas plásticas


O consumo excessivo do saco plástico tem sido apontado como um dos principais inimigos do Planeta. Para sua fabricação é necessária a extração de petróleo ou uso de gás natural, fontes não-renováveis. Além dessa demanda, a produção carece de muito consumo energético e emite muitos poluentes. Os sacos plásticos são descartáveis e resistentes, podendo permanecer por 400 anos na natureza sem se decompor. Seu consumo mundial por ano chega a quase um trilhão. Para tentar reduzir seu uso, foi lançada a campanha “Saco é um saco!”.
A lei que proíbe o uso de sacolas plásticas já está em vigor em Juiz de Fora desde agosto de 2009, mas os estabelecimentos comerciais ganharam o prazo de três anos a partir de sua publicação para se adaptarem.
Durante esse período o que se recomenda é a mudança de hábitos. Evitar o uso de sacolas plásticas nos supermercados, quando não for possível recusar, reaproveitá-las de modo inteligente. O ideal é o uso das bolsas retornáveis. Essas práticas são enquadradas no que vem sendo chamado de consumo consciente para uma sociedade mais sustentável.

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FELIPE TOSETTI / MARÍLIA DUTRA

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